segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sexo e Amor na Igreja.

Comentário

 

Com relação ao artigo abaixo, somos contra o entendimento de que o homossexualismo seja uma tendência natural. Podemos entender que seja uma tendência oriunda da permissividade dos costumes sob o prisma da modernidade, onde tudo, em nome do amor, é permitido. Fosse uma tendência natural, veríamos na natureza animais a praticando, exatamente o que nâo ocorre. Podemos entender também como um problema de má formação genética, ou mesmo disfunção hormonal, mas nunca como uma tendência natural. Apesar de tudo, como seres humanos que são, os homossexuais têm todos os direitos e merecem nosso respeito.

 

Arauto do Templo

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Sexo e amor na Igreja

 

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do jornal “O Globo”, de 18.06.2015

 

 

A 9 de junho o papa Francisco ordenou a criação do tribunal vaticano para julgar bispos acusados de pedofilia e por acobertarem padres denunciados por violência sexual, o que considerou “abuso de poder.”

 

O tribunal funcionará dentro da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), a mais importante instância católica depois do papado.

 

Ano passado, a ONU acusou a Igreja Católica de não combater a pedofilia e facilitar o acobertamento de denúncias. Francisco instalou, então, uma comissão de 17 pessoas, inclusive representantes das vítimas de abuso sexual, para investigar a ocultação desses crimes.

 

Sexo sempre foi tabu nas igrejas. É o que menos se fala e muito se faz. A começar do fato de todos papas, cardeais e bispos serem frutos da relação sexual entre um homem e uma mulher.

 

As influências da teologia do apóstolo Paulo, educado pela escola puritana dos fariseus e, mais tarde, de Santo Agostinho, discípulo de Platão, cuja filosofia antepõe corpo e espírito, induziram os católicos a verem no celibato de Jesus um exemplo a ser abraçado por sacerdotes. Não se leva em conta que o próprio Jesus não considerava o celibato exigência a seus apóstolos, tanto que escolheu como primeiro papa um homem casado, Pedro, cuja sogra ele curou (Marcos 1,31). E a virgindade de Maria, mãe de Jesus, passou a ter mais importância que seu hino à justiça social, o Magnificat (Lucas 1,46-55), e sua fidelidade aos valores evangélicos.

 

Até meados da década de 60, a Igreja Católica abrigava adolescentes em seminários, privados de contato com mulheres, a fim de cultivar neles a vocação ao celibato exigida pelo sacerdócio. Ali tinham início distorções e perversões, como a prática da pedofilia.

 

Todo pastor é um homem imbuído do poder de tocar a alma humana. Quem convive com gurus religiosos sabe que precisam estar alertas em relação a certas mulheres que, ao despir a alma, facilmente despem também o corpo...Algo parecido ocorre em consultórios de psicanálise. Daí a importância de uma formação sólida para quem lida com a subjetividade alheia, manipulável pela religião.

 

Francisco dá passos importantes no sentido de abrir, na Igreja, o debate sobre sexualidade. O tema está interdito entre os católicos desde o século XVI, quando se formulou a doutrina ainda vigente e incompatível com os avanços científicos e morais da modernidade, como a exigência de que toda relação sexual tenha por finalidade a procriação, e a proibição do uso de preservativos.

 

Para adequar a Igreja aos tempos atuais, Francisco convocou para outubro, em Roma, o Sínodo da Família, que debaterá os novos perfis familiares, e deu um basta na homofobia. A homossexualidade é, agora, reconhecida pela Igreja Católica como tendência natural, merecedora de respeito e direitos.

 

A pedofilia é uma perversão praticada também no interior das famílias e instituições que lidam com crianças. Mas há outras anomalias na Igreja, como a dupla moral (a que se prega e a que se vive), a sedução que cria dependência afetiva, o uso do conceito de pecado e do medo do inferno como diabólica maneira de manipular consciências infantilizadas.

 

Se sexo fosse pecado, Deus não teria criado uma forma tão prazerosa de gerar vida. Mas não é o sexo que o debate católico deve priorizar. É o amor. Todos os abusos sexuais decorrem da falta de amor. Vale lembrar a escala grega: pornô (o prazer de um é a degradação do outro); eros (ambos se dão prazer); filia (do prazer nasce a cumplicidade); ágape (o supremo prazer é a comunhão de espíritos).

 

E convém proclamar o que enfatiza a 1ª Carta de João (4, 7-8); onde há amor, Deus aí está. E acrescento: inclusive em uma relação homoafetiva.

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