domingo, 31 de maio de 2015

Benção Diplomática

Santa Sé conclui tratado de cooperação reconhecendo formalmente o Estado Palestino

 

Comentário:

 

         Pode demorar um pouco mais, mas acreditamos que era o empurrão que faltava para que Judeus e Palestinos cheguem a um bom termo nessa questão que vem se arrastando diplomaticamente desde 1947, quando a ONU reconheceu oficialmente o Estado de Israel  curvando-se, infelizmente, ao poderio econômico dos Judeus em detrimento dos pobres agricultores e pastores Palestinos, que tanto direito tinham quanto os Judeus.

Já terá sido um grande passo se cessarem de vez os combates, se selarem um acordo de paz, tantas vezes celebrado e quebrado – alguns considerados como verdadeiros  massacres e fortemente repudiados pela comunidade internacional pela desproporção bélica usada por Israel – devido a revides de ambas as partes por mortes de cidadãos, por invasão e tomada de territórios por parte dos Judeus.

Embora o Vaticano não tenha o mesmo peso político e bélico dos demais Estados-Membros, sua influência se dá sobre um bilhão de Católicos, muitos dos quais com poder de influenciar em seus países o povo e dirigentes para que se posicionem a favor do reconhecimento da Palestina como um Estado de fato com assento definitivo na ONU como Estado-Membro, deixando de ser mero observador.

Rezemos e façamos o que estiver ao nosso alcance para que a Paz e a harmonia passem a reinar na Terra Santa, terra que todos amamos, berço dos Cavaleiros Templários.

 

Arauto do Templo

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Benção Diplomática

 

A matéria abaixo foi transcrita do Jornal “O Globo”, de 14.05.15

 

Roma – O Vaticano deu um passo significativo, embora simbólico, ao concluir um tratado, que deve ser assinado em breve, reconhecendo a Palestina como Estado – numa medida que já preocupa o governo israelense. Ontem, uma comissão mista do Vaticano e da Palestina concluiu um documento formal, que classifica a região como um Estado, num acordo de cooperação entre as duas partes. O objetivo principal é ajudar na formalização de relações da igreja com as autoridades locais.

         Na prática, o tratado representa mais um impulso aos esforços do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em busca de reconhecimento internacional. E confirma o posicionamento que o Papa Francisco e a Santa Sé já vinham sinalizando. Em 2012, o vaticano deu boas-vindas à decisão da Assembleia Geral da ONU de aprovar a ANP como Estado observador não membro. Em fevereiro de 2013, utilizou pela primeira vez a expressão “Estado da Palestina”.

         - O acordo é uma forma de encorajar a comunidade internacional, especialmente as partes diretamente implicadas, a empreenderem uma ação mais decisiva para contribuir com uma paz duradoura e na solução de dois Estados – disse ao “L’Osservatore Romano” Antoine Camilleri, vice- chefe da diplomacia vaticana. – Tenho fé de que o acordo ajude os palestinos também a melhorarem relações com Israel. Seria positivo se pudesse ajudar de alguma maneira no estabelecimento e reconhecimento de um Estado independente, soberano e democrático que viva em paz e segurança com Israel e seus vizinhos.

         O novo reconhecimento – feito desde 2013 nos documentos do Vaticano, mas a título informal – agora passa ser o primeiro documento legal negociado entre a Santa Sé e o Estado Palestino. E constitui, portanto, um reconhecimento diplomático oficial, que ganha ainda maior peso moral por ser o Papa o líder espiritual de um bilhão de católicos. Grande parte dos 193 países da ONU já reconhece o Estado Palestino, incluindo o Brasil, além de instituições como o Parlamento Europeu.

         - É um reconhecimento de que o Estado existe – confirmou o principal porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

 

Críticas em Israel

Abbas visitará o Papa Francisco no sábado, quando se espera que o tratado seja assinado. No dia seguinte, ele acompanhará a missa de canonização de duas freiras palestinas do século XIX: Marie-Alphonsinme Danil Gatthas, de Jerusalém, e Mariam Baouardy, da Galileia.

         A discussão é fruto do acordo base entre a Santa Sé e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), firmado em 15 de fevereiro de 2000. Embora o relacionamento oficial tenha sido estabelecido em outubro de 1994, segundo Camilleri, as negociações dessa etapa do acordo começaram a ser travadas apenas seis anos depois, após a visita do então Papa Bento XVI à Terra Santa, em 2009. Durante sua visita, em 2014, Francisco deu um impulso adicional à soberania palestina, voando diretamente para Belém, a partir de Amã, na Jordânia, em vez de parar antes em Israel, como seus antecessores.

         Hanna Amireh, chefe do Comitê Palestino para Assuntos com a Igreja, afirmou ontem que o tratado indica o amplo rol de interesses do Vaticano em Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, incluindo territórios sagrados cristãos ocupados por Israel, além de impostos sobre instituições de caridade e terras, e outras questões culturais e diplomáticas.

         - O Vaticano é a capital espiritual dos católicos, e eles estão reconhecendo a Palestina, o que é de máxima importância – afirmou Hanna, também membro do comitê executivo da OLP. – O movimento contrapõe uma imagem dos palestinos como militantes ou terroristas, com um reconhecimento de sua mensagem clara para coexistência e paz.

         Neville Lamdan, ex-embaixador de Israel junto à Santa Sé, disse que a principal importância da medida é a “autoridade moral e de peso” que ela confere.

         - Certamente é uma decisão muito deliberada e cuidadosamente ponderada; não há nada acidental sobre isso – afirmou ao “New York Times”.

         Mas se a comunidade palestina comemorou o ato simbólico, Israel mostrou-se decepcionado com o posicionamento do Vaticano. Ontem o Ministério de Relações Exteriores emitiu um comunicado afirmando que a medida não ajuda no processo de paz e “dificulta o retorno da liderança palestina às negociações”. O governo disse que ainda vai estudar o acordo.

         O rabino David Rosen,, diretor internacional para o Comitê Judaico-Americano, minimizou o significado do termo “Estado” no novo tratado.

         - Não acho que seja algo dramático, Francisco se preocupa profundamente com os povos desta terra e gostaria muito de ver uma reconciliação pacífica. Mas não vejo quaisquer alterações em termos de política no Vaticano.

 

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