quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal

MENSAGEM DE NATAL - 2015

PRIORADO MAGISTRAL DO RIO DE JANEIRO  -  OSMTH – PORTO – PT

 

SURSUM CORDA

 

Irmãos, Saudações Templárias e Natalinas

 

Renasce uma vez mais o menino Jesus, nosso símbolo maior de Luz e de Esperança.

De Luz, desejando que ilumine cada vez mais nossas mentes e corações, banindo as trevas da insensatez, das disputas, da cobiça e das guerras.

De Esperança, desejando que a humanidade venha a ter dias melhores, dias de paz, de justiça, de amor fraterno, que possamos amar o próximo como a nós mesmos, para que sejamos dignos das promessas do Cristo de Deus.

Feliz Natal a todos os Irmãos do Templo e familiares.

 

HABEMUS AD DOMINE

 

Fr. ++João Baptista Neto (MC)

                Prior

Priorado Magistral do Rio de Janeiro

        OSMTH – Porto - PT

                nnDnn

Arauto do Templo

 

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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

IV Investidura Templária - 13.Novembro.2015

Palavras do Prior

 

(Por ocasião da IV Investidura Templária realizada na Igreja de N.S. da Conceição e S. José, no Engenho de Dentro –Rio de Janeiro – RJ)

 

SURSUM CORDA

 

Excelentíssimas Autoridades Eclesiásticas, Civis e Militares, Senhores e Senhoras, o nosso muito obrigado por tão honrosa presença prestigiando mais esta Solenidade, atendendo ao convite para a Missa em Ação de Graças seguida de Investidura Templária.

 

Infelizmente, nem tudo acontece de acordo com o planejado. E, como tantas outras atividades, as nossas também foram afetadas pela crise econômica pela qual vem passando o Brasil.

 

A programação inicial era de serem investidos 10 Cavaleiros e 1 Dama, mas, devido à crise, somente uma Dama resistiu e perseverou até o final.

 

Tal atitude da Aspirante Cecilia Grecchi dá um brilho especial a esta solenidade ressaltando as três principais características de um Templário: Temperança, Determinação e Perseverança.

 

Como tudo é passageiro, nós, do Priorado Magistral do Rio de Janeiro, da “Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani – OSMTH” – Porto, continuaremos firmes em nosso propósito na formação de Cavaleiros e Damas, pois não será uma crise passageira que afetará os desígnios do Priorado de uma Ordem de 900 anos, de tantas batalhas vencidas.

 

Como sabem, hoje não mais guerreamos com armas, e sim com palavras e exemplo de atitudes cristãs, tudo de acordo com os ensinamentos de nosso Mestre Maior – Jesus, o Cristo.

 

Salve Mestre Jesus.

Salve Mãe Maria, aquela em quem o SENHOR fez Maravilhas.

 

HABEMUS AD DOMINE.

 

Non nobis Domine, non nobis, sed nomini Tuo da Gloriam

 

 

Arauto do Templo

 




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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

CONVITE para a IV Investidura - 13.11.15

Já se encontra no site www.templebrasil.org  Convite para a IV Investidura a ser realizada no dia 13.11.15 às 18:00 horas na Igreja de N.S. da Conceição e S. José, no Engenho de Dentro, na Av. Amaro Cavalcanti, 1671.

Os interessados em participar do Jantar de Confraternização deverão entrar em contato com o Priorado até o dia 10.11.15 através do e-mail webmaster@templebrasil.org .

 

Arauto do Templo.

 

 




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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Desafios da Igreja

Comentário

 

Tudo a seu tempo e hora. Finalmente, parece que chegou a hora de a Igreja encarar de frente certos temas que vêm se arrastando por décadas tendo como subterfúgio dogmas e tabus já em muito ultrapassados e anacrônicos. Foi preciso constatar a perda crescente de fiéis e olhar internamente para seu comportamento frente à sociedade, comparando-o às prédicas de Jesus, para que chegasse à conclusão que era hora de mudar sob pena de se tornar meramente uma organização cumpridora e mandatária de regras ao invés de assistência aos seus fiéis.

 

Arauto do Templo

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Desafios da Igreja

 

Por: Frei Betto (O.P.)

Extraído do Jornal “O Globo”, de 08.10.2015

 

O Sínodo da Família tem por missão se debruçar sobre temas que permanecem tabus, como homossexualidade, divórcio e preservativos.

 

         O Sínodo da Família, convocado pelo Papa Francisco, teve início em Roma a 04 de outubro e será encerrado no próximo dia 25. Estão reunidos 270 padres sinodais (bispos e cardeais), eleitos por 110 conferências episcopais; chefes de Igrejas Orientais; dea religiosos; peritos; e 18 casais (dois do Brasil).

         O tema é “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Na vigília de oração antes da abertura do evento, o Papa lembrou que a Igreja Católica não pode “permanecer no passado”, nem se comportar como “simples organização”, e nela a autoridade é serviço e não dominação. Na igreja, a missão não deve se confundir com mera “propaganda”; o culto com “evocação”; e a “prática dos cristãos com uma moral de escravos”.

         Esta última frase tem endereço certo: o legalismo moralista que ainda predomina na Igreja e a faz mais parecida à hipocrisia dos fariseus que à misericórdia de Jesus. Ainda há padres e religiosos que preferem apontar aos fiéis as penas do inferno que o amor incondicional de Deus; o estigma da condenação que o afetuoso perdão espelhado no pai que festeja a volta do filho pródigo. “Se não somos capazes de unir compaixão à justiça, terminamos sendo seres inutilmente severos e profundamente injustos”, declarou o Papa.

         Francisco enfatizou que a Igreja precisa abraçar “as situações de vulnerabilidade que a põem à prova: a pobreza, a guerra, a enfermidade, o luto, as relações (conjugais) laceradas e desgastadas e das quais brotam dificuldades, ressentimentos e rupturas”.

         O Sínodo, uma assembleia consultiva, tem por missão debruçar-se sobre temas que permanecem tabus na Igreja, como a homossexualidade. As três religiões do Livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – no mínimo sentem-se desconfortáveis com o fato de haver atração sexual e afetiva entre pessoas do mesmo sexo. E, muitas vezes, se julgam no direito de rejeitá-las e estigmatizá-las, como se Deus fosse um severo juiz moralista e não um Pai amoroso. Ou “mais Mãe do que Pai”, como disse João Paulo I.

         Divorciados recasados podem ter acesso aos sacramentos? A relação sexual deve estar sempre norteada pela intenção de procriar? O uso do preservativo merece ser liberado? Como deve proceder a Igreja diante dos “órfãos sociais”, como se referiu Francisco aos imigrantes que chegam à Europa? São questões a serem debatidas por uma assembleia predominantemente masculina e que formalmente se abstém de relações sexuais e, portanto, nunca constituiu família. As decisões finais são prerrogativas do Papa, que pode aceitar ou não os resultados das votações.

         Se João Paulo II foi um Papa diplomata, empenhado na derrubada do Muro de Berlim; e Bento XVI, um teólogo preocupado em preservar a ortodoxia; Francisco é um pastor e quer escancarar as portas da Igreja: venham todos, cegos, surdos, estropiados, pecadores.

         O Papa Francisco tenta mover uma montanha, a Igreja Católica, com as próprias mãos. Sabe que não é fácil enfrentar os paradoxos que caracterizam a instituição: religiosos que fazem voto de pobreza e vivem confortavelmente em comunidades ricas; clero aburguesado cuja teologia pouco difere do catecismo elementar; mulheres impedidas de acesso ao sacerdócio; leigos infantilizados na fé; preconceito aos homossexuais; insensibilidade frente aos pecados sociais.

         Em 1910, dois terços dos católicos do mundo eram europeus. A continuar morrendo mais padres que recebendo novos seminaristas, em breve a Europa terá um número insignificante de católicos. E em todo o mundo perdurará a contradição entre o que Roma prega e os fiéis praticam, como é o caso do preservativo. A menos que a Igreja siga os passos de Francisco e procure responder a pergunta que ele se faz: como agiria Jesus em pleno século XXI?

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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sexo e Amor na Igreja.

Comentário

 

Com relação ao artigo abaixo, somos contra o entendimento de que o homossexualismo seja uma tendência natural. Podemos entender que seja uma tendência oriunda da permissividade dos costumes sob o prisma da modernidade, onde tudo, em nome do amor, é permitido. Fosse uma tendência natural, veríamos na natureza animais a praticando, exatamente o que nâo ocorre. Podemos entender também como um problema de má formação genética, ou mesmo disfunção hormonal, mas nunca como uma tendência natural. Apesar de tudo, como seres humanos que são, os homossexuais têm todos os direitos e merecem nosso respeito.

 

Arauto do Templo

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Sexo e amor na Igreja

 

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do jornal “O Globo”, de 18.06.2015

 

 

A 9 de junho o papa Francisco ordenou a criação do tribunal vaticano para julgar bispos acusados de pedofilia e por acobertarem padres denunciados por violência sexual, o que considerou “abuso de poder.”

 

O tribunal funcionará dentro da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), a mais importante instância católica depois do papado.

 

Ano passado, a ONU acusou a Igreja Católica de não combater a pedofilia e facilitar o acobertamento de denúncias. Francisco instalou, então, uma comissão de 17 pessoas, inclusive representantes das vítimas de abuso sexual, para investigar a ocultação desses crimes.

 

Sexo sempre foi tabu nas igrejas. É o que menos se fala e muito se faz. A começar do fato de todos papas, cardeais e bispos serem frutos da relação sexual entre um homem e uma mulher.

 

As influências da teologia do apóstolo Paulo, educado pela escola puritana dos fariseus e, mais tarde, de Santo Agostinho, discípulo de Platão, cuja filosofia antepõe corpo e espírito, induziram os católicos a verem no celibato de Jesus um exemplo a ser abraçado por sacerdotes. Não se leva em conta que o próprio Jesus não considerava o celibato exigência a seus apóstolos, tanto que escolheu como primeiro papa um homem casado, Pedro, cuja sogra ele curou (Marcos 1,31). E a virgindade de Maria, mãe de Jesus, passou a ter mais importância que seu hino à justiça social, o Magnificat (Lucas 1,46-55), e sua fidelidade aos valores evangélicos.

 

Até meados da década de 60, a Igreja Católica abrigava adolescentes em seminários, privados de contato com mulheres, a fim de cultivar neles a vocação ao celibato exigida pelo sacerdócio. Ali tinham início distorções e perversões, como a prática da pedofilia.

 

Todo pastor é um homem imbuído do poder de tocar a alma humana. Quem convive com gurus religiosos sabe que precisam estar alertas em relação a certas mulheres que, ao despir a alma, facilmente despem também o corpo...Algo parecido ocorre em consultórios de psicanálise. Daí a importância de uma formação sólida para quem lida com a subjetividade alheia, manipulável pela religião.

 

Francisco dá passos importantes no sentido de abrir, na Igreja, o debate sobre sexualidade. O tema está interdito entre os católicos desde o século XVI, quando se formulou a doutrina ainda vigente e incompatível com os avanços científicos e morais da modernidade, como a exigência de que toda relação sexual tenha por finalidade a procriação, e a proibição do uso de preservativos.

 

Para adequar a Igreja aos tempos atuais, Francisco convocou para outubro, em Roma, o Sínodo da Família, que debaterá os novos perfis familiares, e deu um basta na homofobia. A homossexualidade é, agora, reconhecida pela Igreja Católica como tendência natural, merecedora de respeito e direitos.

 

A pedofilia é uma perversão praticada também no interior das famílias e instituições que lidam com crianças. Mas há outras anomalias na Igreja, como a dupla moral (a que se prega e a que se vive), a sedução que cria dependência afetiva, o uso do conceito de pecado e do medo do inferno como diabólica maneira de manipular consciências infantilizadas.

 

Se sexo fosse pecado, Deus não teria criado uma forma tão prazerosa de gerar vida. Mas não é o sexo que o debate católico deve priorizar. É o amor. Todos os abusos sexuais decorrem da falta de amor. Vale lembrar a escala grega: pornô (o prazer de um é a degradação do outro); eros (ambos se dão prazer); filia (do prazer nasce a cumplicidade); ágape (o supremo prazer é a comunhão de espíritos).

 

E convém proclamar o que enfatiza a 1ª Carta de João (4, 7-8); onde há amor, Deus aí está. E acrescento: inclusive em uma relação homoafetiva.

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domingo, 9 de agosto de 2015

O que é ter fé

O que é ter fé

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do Jornal O Globo, de 30.07.15

 

Para Jesus, ela não significa aceitar o que prega uma religião, mas agir levado por amor, solidariedade e justiça.

 

         Todos conhecemos pessoas que frequentam a igreja e, no entanto, se comportam de modo contrário aos valores evangélicos; tratam subalternos com desrespeito; sonegam direitos de empregados; discriminam por razões raciais ou sexuais. Pessoas que enchem a boca de Deus e trazem o coração entupido de ira, inveja, soberba; são indiferentes aos direitos dos pobres; omitem-se em situações graves que lhes exigem solidariedade.

         E temos à nossa volta, no círculo de amizades, pessoas ateias ou agnósticas que, em suas atitudes, fazem transparecer tudo o que o Evangelho acentua como valores: amor ao próximo, justiça aos excluídos, solidariedade aos necessitados, etc.

         O Catecismo da Igreja Católica, aprovado por João Paulo II, em 1992, elaborado sob a supervisão do teólogo Ratzinger, futuro papa Bento XVI, define a fé como “adesão pessoal do homem a Deus”. E acrescenta que é “o assentimento livre de toda a verdade que Deus revelou”. E a portadora dessa verdade é a Igreja.

         Assim, só teria verdadeira fé cristã quem submete seu entendimento ao que ensina a autoridade eclesiástica (papa, bispos e pastores).

         Devido a essa maneira de entender a fé, o que se crê se tornou mais importante do que como se vive. Criou-se uma ruptura entre fé e vida. A ponto de uma pesquisa na França, ao indagar a diferença entre um empresário sem religião e outro cristão, teve como resposta da maioria um detalhe: o segundo vai à missa de vez em quando. No resto, em nada diferem....

         Para Jesus, quem tinha fé? A resposta é desconcertante. Em Mateus 8,10, Jesus declara que o homem com mais fé que até então havia encontrado era um oficial romano, um centurião.

         Ora, como Jesus pôde elogiar a fé de um oficial pagão? O episódio demonstra que, para Jesus, a fé não consiste, em primeiro lugar, naquilo que se crê, e sim no modo de proceder. Aquele pagão era um homem solidário, preocupado com o sofrimento de um servo.

         A mesma atitude de Jesus se repete no caso da mulher cananeia, que também era pagã. A mulher pede a Jesus que lhe cure a filha. Diante dela, Jesus reconhece: “Mulher, grande é a sua fé” (Mateus 15,28). Grande, não por causa da crença da mulher, e sim por seu procedimento amoroso.

         O mesmo ocorre no caso  do samaritano hanseniano, curado em companhia de nove judeus (Lucas 17,11-19). Os judeus, segundo suas crenças religiosas, se apresentaram aos sacerdotes, como recomendou Jesus. Já o samaritano, que não obedecia às prescrições das autoridades religiosas e não se sentia obrigado a submeter-se a elas, retornou para agradecer a Jesus, que lhe exaltou a fé: “A sua fé o salvou” (Lucas 17,19).

         Para Jesus, portanto, a fé antes de se vincular a um catálogo de crenças, a uma doutrina,  se relaciona a um modo de viver e agir. Jesus, por vezes, duvidou da fé de quem estava mais próximo dele (Marcos 4,40). Discípulos e apóstolos foram considerados “homens de pouca fé” (Mateus 8,26).

         Jesus fez a desconcertante afirmação de que prostitutas e cobradores de impostos terão precedência no Reino de Deus, e não os “exemplares” sacerdotes (Mateus 21,31).

         Isso deixa claro quem Jesus reconhecia como crente. Não propriamente quem aceita o que prega a religião, e sim quem age por amor, solidariedade e justiça. Ter fé é, sobretudo, viver de acordo com os valores segundo os quais vivia Jesus.

         A Igreja está em crise. Suas autoridades culpam o laicismo, o relativismo, o hedonismo. Ora, será que as autoridades religiosas, e nós, frades, freiras, padres e pastores, não temos culpa nisso, por apresentar a fé cristã como verdades cristalizadas em doutrina, e não expressada em vivência?

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Arauto do Templo

 




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sábado, 20 de junho de 2015

A Encíclica Verde

Veja abaixo o comentário de Frei Betto sobre a Encíclica “Laudato Si”, do Papa Francisco.

 

Arauto do Templo.

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A encíclica verde

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do jornal “O Globo”, de 19.06.2015

 

            Em homenagem a São Francisco de Assis, o Papa Francisco lançou uma encíclica holística, “Louvado seja”, na qual associa degradação ambiental e aumento de pobreza mundial. O texto se constitui num apelo urgente para a Humanidade sair da “espiral da autodestruição”.

            O chefe da Igreja Católica condena o atual modelo de desenvolvimento focado no consumismo e na obtenção de lucro imediato. Denuncia “a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano do qual não gosta”.

            Salvar o planeta é salvar os pobres, clama Francisco. Eles são as principais vítimas das sequelas deixadas por invasões de terras indígenas, destruição de florestas, contaminação de rios e mares, uso abusivo de agrotóxicos e de energia fóssil.

            O texto resgata a interação bíblica entre o ser humano e a natureza e faz mea-culpa quanto ao modo de a Igreja interpretar o mandato divino de “dominar” a Terra. Também amplia o significado do “Não matarás”: “Uns 20% da população mundial consomem recursos em uma medida tal que roubam às nações pobres e às gerações futuras aquilo de que necessitam para sobreviver.”

            Não há desenvolvimento social e avanço científico positivos, alerta o papa, sem o respaldo da ética e a centralidade do bem comum em tudo que se pesquisa e planeja.

            O combate à idolatria do mercado é enfático, ao frisar que a fome e a miséria não acabarão “simplesmente com o crescimento do mercado. O mercado, por si mesmo, não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social”.

            Além de criticar como inócuas as reuniões de cúpula sobre a questão ambiental, pois os bons propósitos não saem do papel, Francisco amplia o conceito de ecologia ao destacar a “ecologia integral”, a “ecologia cultural” e a “da vida cotidiana”.

            Nenhuma outra encíclica contém tanta poesia. Francisco frisa que “todo o Universo material é uma linguagem do amor de Deus. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus”. E, pela primeira vez, uma encíclica valoriza a contribuição da obra de Teilhard de Chardin, censurado por Roma em toda a primeira metade do século passado.

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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Adoração ao Corpo de Cristo

Irmãos, Saudações.

 

         Neste dia que nos reservamos para a adoração do Corpo de Cristo, reproduzo abaixo o maravilhoso poema de Frei Betto, verdadeira aula de esoterismo Cristão.

 

Fraterno Abraço,

 

Arauto do Templo

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A festa do corpo

 

Por: Frei Betto

Transcrito do Jornal “O Globo”, de 4.6.2015

 

         Na festa do Corpo de Cristo, deixarei o meu flutuar em alturas abissais. Acariciarei uma por uma de minhas rugas, desvelarei histórias em meus cabelos brancos, decifrarei, com a ponta dos dedos, meu perfil interior.

         Não recorrerei ao bisturi das falsas impressões. Nem ao espectro de magreza anoréxica. O tempo prosseguirá massageando meus músculos até torna-los flácidos como as delicadezas do espírito.

         Suspenderei todas as flexões, exceto as que aprendo na academia dos místicos. Beberei do próprio poço e abrirei o coração para o anjo da faxina atirar, pela janela da compaixão, iras, invejas e amarguras.

         Pisarei sem sapatos o calor da terra viva. Bailarino ambiental, dançarei abraçado à Gaia ao som estridente de canções primevas. Dela receberei o pão; a ela darei a paz.

         Acesas as estrelas, contemplarei na penumbra do mistério esse corpo glorioso que nos funde, eu, você e Gaia, em um único sacramento divino. Seu trigo brotará como alimento para todas as bocas, e suas uvas farão correr rios inebriantes de saciedade.

         Na mesa cósmica, ofertarei as primícias de meus sonhos. De mãos vazias, acolherei o  corpo do Senhor no cálice de minhas carências.

         Dobrarei os joelhos ao mistério da vida e contemplarei o nosso divino na face daqueles que nunca souberam que cosmo e cosmético são gregas palavras, e deitam raízes na mesma beleza.

         Despirei meus olhos de todos os preconceitos e rogarei pela fé acima de todos os preceitos. Como Ezequiel, contemplarei o campo dos mortos até ver a poeira consolidar-se em ossos. os ossos se juntarem em esqueletos, os esqueletos se cobrirem de carne, e a carne inflar-se de vida no espírito de Deus.

         Proclamarei o silêncio como ato de profunda subversão. Desconectado do mundo, banirei da alma todos os ruídos que me inquietam e, vazio de mim mesmo, serei plenificado por Aquele que me envolve por dentro e por fora, por cima e por baixo.

         Suspenderei da mente a profusão de imagens e represarei no olvido o turbilhão de ideias. Privarei de sentido as palavras. Absorvido pelo silêncio, apurarei os ouvidos para escutar a brisa de Elias e, os olhos, para admirar o que tanto extasiou Simeão.

         Não mais farei de meu corpo mero adereço estranho ao espírito. Serei uma só unidade, onda e partícula, verso e reverso, anima e animus.

         Recolherei pelas esquinas todos os corpos indesejados para lavá-los no sangue de Cristo, antes que se soltem de seus casulos para alçar o voo salvífico das borboletas.

         Curarei da cegueira os que se miram no olhar alheio e besuntarei de cremes bíblicos os rostos de todos que se julgam feios, até que neles transpareça o esplendor da semelhança divina.

         Arrancarei do chão de ferro os pés congelados da dessolidariedade e farei vir vento forte aos que temem o peso das próprias asas. Ao alçarem o topo do mundo, verão que somos todos um só corpo e um só espírito.

         Farei de meu corpo hóstia viva; do sangue, vinho de alegria. Ébrio de efusões e graças, enlaçarei em um amplexo cósmico todos os corpos e, no salão dourado da Via Láctea, valsaremos até que a música sideral tenha esgotado a sinfonia escatológica.

         Na concretude da fé cristã, anunciarei aos quatro ventos a certeza da ressurreição da carne e de todo o Universo redimido pelo corpo místico de Cristo.

         Então, quando a morte transvivenciar-me, o que é terno tornar-se-á eterno.

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domingo, 31 de maio de 2015

Benção Diplomática

Santa Sé conclui tratado de cooperação reconhecendo formalmente o Estado Palestino

 

Comentário:

 

         Pode demorar um pouco mais, mas acreditamos que era o empurrão que faltava para que Judeus e Palestinos cheguem a um bom termo nessa questão que vem se arrastando diplomaticamente desde 1947, quando a ONU reconheceu oficialmente o Estado de Israel  curvando-se, infelizmente, ao poderio econômico dos Judeus em detrimento dos pobres agricultores e pastores Palestinos, que tanto direito tinham quanto os Judeus.

Já terá sido um grande passo se cessarem de vez os combates, se selarem um acordo de paz, tantas vezes celebrado e quebrado – alguns considerados como verdadeiros  massacres e fortemente repudiados pela comunidade internacional pela desproporção bélica usada por Israel – devido a revides de ambas as partes por mortes de cidadãos, por invasão e tomada de territórios por parte dos Judeus.

Embora o Vaticano não tenha o mesmo peso político e bélico dos demais Estados-Membros, sua influência se dá sobre um bilhão de Católicos, muitos dos quais com poder de influenciar em seus países o povo e dirigentes para que se posicionem a favor do reconhecimento da Palestina como um Estado de fato com assento definitivo na ONU como Estado-Membro, deixando de ser mero observador.

Rezemos e façamos o que estiver ao nosso alcance para que a Paz e a harmonia passem a reinar na Terra Santa, terra que todos amamos, berço dos Cavaleiros Templários.

 

Arauto do Templo

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Benção Diplomática

 

A matéria abaixo foi transcrita do Jornal “O Globo”, de 14.05.15

 

Roma – O Vaticano deu um passo significativo, embora simbólico, ao concluir um tratado, que deve ser assinado em breve, reconhecendo a Palestina como Estado – numa medida que já preocupa o governo israelense. Ontem, uma comissão mista do Vaticano e da Palestina concluiu um documento formal, que classifica a região como um Estado, num acordo de cooperação entre as duas partes. O objetivo principal é ajudar na formalização de relações da igreja com as autoridades locais.

         Na prática, o tratado representa mais um impulso aos esforços do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, em busca de reconhecimento internacional. E confirma o posicionamento que o Papa Francisco e a Santa Sé já vinham sinalizando. Em 2012, o vaticano deu boas-vindas à decisão da Assembleia Geral da ONU de aprovar a ANP como Estado observador não membro. Em fevereiro de 2013, utilizou pela primeira vez a expressão “Estado da Palestina”.

         - O acordo é uma forma de encorajar a comunidade internacional, especialmente as partes diretamente implicadas, a empreenderem uma ação mais decisiva para contribuir com uma paz duradoura e na solução de dois Estados – disse ao “L’Osservatore Romano” Antoine Camilleri, vice- chefe da diplomacia vaticana. – Tenho fé de que o acordo ajude os palestinos também a melhorarem relações com Israel. Seria positivo se pudesse ajudar de alguma maneira no estabelecimento e reconhecimento de um Estado independente, soberano e democrático que viva em paz e segurança com Israel e seus vizinhos.

         O novo reconhecimento – feito desde 2013 nos documentos do Vaticano, mas a título informal – agora passa ser o primeiro documento legal negociado entre a Santa Sé e o Estado Palestino. E constitui, portanto, um reconhecimento diplomático oficial, que ganha ainda maior peso moral por ser o Papa o líder espiritual de um bilhão de católicos. Grande parte dos 193 países da ONU já reconhece o Estado Palestino, incluindo o Brasil, além de instituições como o Parlamento Europeu.

         - É um reconhecimento de que o Estado existe – confirmou o principal porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

 

Críticas em Israel

Abbas visitará o Papa Francisco no sábado, quando se espera que o tratado seja assinado. No dia seguinte, ele acompanhará a missa de canonização de duas freiras palestinas do século XIX: Marie-Alphonsinme Danil Gatthas, de Jerusalém, e Mariam Baouardy, da Galileia.

         A discussão é fruto do acordo base entre a Santa Sé e a Organização para Libertação da Palestina (OLP), firmado em 15 de fevereiro de 2000. Embora o relacionamento oficial tenha sido estabelecido em outubro de 1994, segundo Camilleri, as negociações dessa etapa do acordo começaram a ser travadas apenas seis anos depois, após a visita do então Papa Bento XVI à Terra Santa, em 2009. Durante sua visita, em 2014, Francisco deu um impulso adicional à soberania palestina, voando diretamente para Belém, a partir de Amã, na Jordânia, em vez de parar antes em Israel, como seus antecessores.

         Hanna Amireh, chefe do Comitê Palestino para Assuntos com a Igreja, afirmou ontem que o tratado indica o amplo rol de interesses do Vaticano em Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, incluindo territórios sagrados cristãos ocupados por Israel, além de impostos sobre instituições de caridade e terras, e outras questões culturais e diplomáticas.

         - O Vaticano é a capital espiritual dos católicos, e eles estão reconhecendo a Palestina, o que é de máxima importância – afirmou Hanna, também membro do comitê executivo da OLP. – O movimento contrapõe uma imagem dos palestinos como militantes ou terroristas, com um reconhecimento de sua mensagem clara para coexistência e paz.

         Neville Lamdan, ex-embaixador de Israel junto à Santa Sé, disse que a principal importância da medida é a “autoridade moral e de peso” que ela confere.

         - Certamente é uma decisão muito deliberada e cuidadosamente ponderada; não há nada acidental sobre isso – afirmou ao “New York Times”.

         Mas se a comunidade palestina comemorou o ato simbólico, Israel mostrou-se decepcionado com o posicionamento do Vaticano. Ontem o Ministério de Relações Exteriores emitiu um comunicado afirmando que a medida não ajuda no processo de paz e “dificulta o retorno da liderança palestina às negociações”. O governo disse que ainda vai estudar o acordo.

         O rabino David Rosen,, diretor internacional para o Comitê Judaico-Americano, minimizou o significado do termo “Estado” no novo tratado.

         - Não acho que seja algo dramático, Francisco se preocupa profundamente com os povos desta terra e gostaria muito de ver uma reconciliação pacífica. Mas não vejo quaisquer alterações em termos de política no Vaticano.

 

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Artigo de Frei Betto sobre Dom Hélder Câmara

O santo Dom Hélder Câmara

 

Por: Frei Betto

Transcrito do Jornal “O Globo”, de 23.04.2015

 

 

Ele dizia: ‘se falo dos famintos, todos me chamam de cristão; se falo das causas da fome, me chamam de comunista’.

 

 

Roma autorizou, neste mês, a arquidiocese de Olinda e Recife a iniciar o processo que poderá levar a Igreja Católica a reconhecer e cultuar Dom Hélder Câmara (1909-1999) como santo. Conheci-o quando era bispo auxiliar do Rio, no início da década de 1960. Homem de muitos talentos, ocupava-se também do movimento da Ação Católica.

Homem de baixa estatura e frágil, tinha características curiosas: quase não se alimentava. Tinha um horário estranho de sono: deitava-se por volta das onze, levantava-se por volta das duas da madrugada, sentava-se numa cadeira de balanço e se entregava à oração. Era, como ele dizia, seu “seu momento de vigília”. Rezava até as quatro, dormia mais uma hora e se levantava para celebrar missa.

Na década de 1960, Dom Hélder encabeçou, no Rio, a Cruzada São Sebastião, projeto de desfavelização criado por ele. Não deu certo, o que o levou a combater as causas da pobreza.

Espírito gregário, onde chegasse juntava gente em torno dele. Foi quem criou a CNBB, inventando as conferências episcopais, e o Celam, o conselho dos bispos da América Latina.

Esses organismos que, de certa forma, descentralizam a igreja romana, saíram da cabeça do bispo que, para azar dos militares golpistas, virou arcebispo exatamente em 1964. O papa o nomeou para São Luís e, dias depois, o transferiu para a arquidiocese de Olinda e Recife, na qual permaneceu até falecer.

No Concílio Vaticano II (1962-1965), liderou o Pacto das Catacumbas, pelo qual inúmeros bispos se comprometeram com a “opção pelos pobres”, dando origem ao segmento episcopal que, mais tarde, se identificaria com a Teologia da Libertação.

Indicado, em 1972, ao Nobel da Paz, Dom Hélder não ganhou o prêmio por duas raz~]oes: primeiro, pressão do governo Médici. A ditadura se veria fortemente abalada em sua imagem no exterior caso ele fosse laureado. Mesmo dentro do Brasil, Dom Hélder era considerado persona non grata. Censurado, nada do que o “arcebispo vermelho” falava era reproduzido ou noticiado pela mídia de nosso país.

A outra razão: ciúmes da Cúria Romana, que considerava uma indelicadeza da comissão do Nobel da Paz conceder a um bispo do Terceiro Mundo um prêmio que deveria, primeiro, ser dado ao papa.

O governo militar temendo que algo acontecesse a Dom Hélder e a culpa recaísse sobre a ditadura, enviou delegados da Polícia Federal para lhe oferecer proteção. Dom Hélder reagiu:

- Não preciso de vocês, já tenho quem cuide de minha segurança.

- O senhor não pode ter um esquema privado. Todos que têm segurança precisam registra-la na Polícia Federal. Essa equipe precisa ser de nosso conhecimento, inclusive devido ao porte de armas. Quem cuida da sua segurança?

- Podem anotar, são três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo – retrucou Dom Hélder.

Incomodava ao governo ver desmoralizada, por Dom Hélder, a imagem que a ditadura queria projetar do Brasil no exterior. Ele sempre ressaltava que, se o governo brasileiro quisesse provar que ele mentia, então abrisse as portas do país para que comissões internacionais de direitos humanos viessem investigar, como fez a ditadura da Grécia.

O golpe mais cruel que a ditadura impôs a Dom Hélder foi o brutal assassinato de seu assessor para a juventude, o padre Antonio Henrique Pereira Neto, de 29 anos, em março de 1969, no Recife.

Dom Hélder costumava repetir: “Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão; se falo das causas da fome, me chamam de comunista”.

 

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Breve comentário:

 

         Até 1961 morei na Rua da Matriz, em Botafogo. Por diversas vezes tive a oportunidade de apenas cumprimentar Dom Hélder, acompanhado de sua irmã, quando se dirigia para a Igreja de São João Batista da Lagoa, sendo correspondido sempre com um simpático sorriso. Dom Helder morava na Rua Barão de Macaúbas, rua que fica no sopé da favela do morro Santa Marta.

         Um projeto de Dom Hélder, não mencionado no artigo acima, que vem dando certo até hoje, foi a Feira da Providência, em Novembro de 1960, no Parque Lages, para arrecadar fundos para auxílio aos pobres. O sucesso foi tamanho, que acabou por se fundar o Banco da Providência.

 

Arauto do Templo.

 

 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Teilhard de Chardin, meu guru

Por Frei Betto

 

Transcrito do jornal O Globo, de 09.04.15

 

Aquela cabeça fora capaz de conceber uma das mais abrangentes visões do Universo, na qual todos os elementos se integram

 

 

         No domingo de Páscoa, 10 de abril de 1955, há 60 anos, em Nova York, o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin, 73, levantou-se da cadeira para servir-se de chá. Não chegou à mesa. Um ataque cardíaco pôs fim à sua vida. No enterro não havia mais de três pessoas.

         Para muitos, sua morte representou um alívio. Cessara o movimento daquele cérebro poderoso. Como tantos que ousam pensar pela própria cabeça e se recusam a acreditar que a verdade é filha da autoridade. Teilhard teve um final solitário.

         Aquela cabeça fora capaz de conceber uma das mais abrangentes visões do Universo, na qual todos os elementos se integram, das micropartículas subatômicas à atração de toda a matéria pelo Ponto Ômega, que coroaria o processo de evolução da natureza. Essa grandiosa síntese foi registrada em livros e artigos que, durante sua vida, seus superiores nunca permitiram que fossem publicados, com receio de um novo caso Galileu.

         Editada após a sua morte, a obra de Teilhard alcançou, na década de 1960, repercussão inesperada. Figurou meses na lista de best sellers da Europa e dos EUA. Em 1962, introduzi Teilhard no Brasil graças às traduções de Conrad Detrez. Os resumos em apostilas mimeografadas, vendidos à porta de faculdades do Rio, estão hoje no livro “Sinfonia Universal – a Cosmovisão de Teilhard de Chardin”. Mais tarde, graças a Teilhard, aprofundei a relação entre espiritualidade e física quântica em “A obra do artista – Uma visão holística do Universo”.

         Nascido na França, Teilhard era filho de uma neta de Voltaire, pensador que introduziu em seu país as teorias de Isaac Newton e combateu toda espécie de superstição e intolerância. Aos 11 anos, aluno de colégio jesuíta, Teilhard demonstrou interesse pela geologia. Encontrou um mestre que o convenceu de que o melhor serviço a Deus pode ser o amor às pedras...

         Em 1913, aos 32 anos descobriu o amor a uma mulher. “Estando desde a infância” – escreve ele em “O coração da matéria” – “à prcura do coração da matéria, era inevitável que, um dia, eu me encontrasse face a face com o Feminino [...] Parece-me indiscutível que ao homem – mesmo a serviço de uma causa ou de Deus – não é possível nenhum acesso à maturidade e à plenitude espiritual fora de qualquer influência sentimental que venha nele sensibilizar a inteligência e suscitar, pelo menos inicialmente, as potências de amar”.

         Doutorou-se em Ciências em 1923, na Sorbonne e, em 1923, fez sua primeira viagem à China. Participou da descoberta da primeira prova da existência do homem pré-histórico. Escreveu então uma de suas mais belas obras, “A missa sobre o mundo”.

         De volta a Paris, em 1924, seus trabalhos adquiriram fama. Seus superiores, preocupados com suas ideias pouco ortodoxas, o forçaram a abandonar o Instituto Católico de Paris e a retornar à China. Em Tien-Tsin, escreveu “O meio divino”. Em 1929 participou da descoberta de Sinantropo, e passou a se preocupar com a origem da espécie humana. Começou a redigir sua obra mais famosa, “O fenômeno humano”.

         Retornou a Paris em 1946. O Colégio da França lhe ofereceu uma cadeira. Ele pediu a Roma permissão de aceita-la, bem como de publicar “ fenômeno humano”. Não conseguiu. No ano seguinte, havia escrito sua autobiografia “O coração da matéria”.

         Teilhard buscou a verdade nas pedras da montanha e nos esqueletos dos ancestrais da espécie humana, confiante de que a evidência da verdade é filha do tempo. Censurado, calado, exilado, não abandonou suas pesquisas e escreveu convencido de que a posteridade lhe daria razão, tendo tido o cuidado de confiar os originais a parentes e amigos com liberdade de divulgar sua obra.

 

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Nota – Inscrições para a Investidura de 2016 estão abertas até 31.05.

 

Arauto do Templo.