terça-feira, 19 de outubro de 2010

Marina...você se pintou?

Por bastante oportuno, reproduzo o texto abaixo:

 

 

“Texto de um frei carmelita encaminhado para Marina Silva após as eleições

 

Marina,... você se pintou?

 

 

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher, militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o grito dos pobres”, como diz Leonardo Boff.

 

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que diz respeito a escolhas partidárias?

 

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra. Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as “famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

 

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar tempo para a guerra suja.

 

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

 

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua luta e contra quem ela se dirige.

 

“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma. Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.

 

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina, você já é bonita com o que Deus lhe deu”.

 

 

Um abraço terno. Gilvander Moreira, frei Carmelita.

 

e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br

www.gilvander.org.br”


 

Comentário:

 

            Um dos defeitos da polarização é que acaba transformando algo sério e de responsabilidade, com consequências longas e duradouras, como é o caso da escolha do dirigente de um País, em algo parecido como uma luta de boxe – torce-se por um vencedor, não por uma ideologia ou programa de governo.

            Infelizmente a polarização faz com que atue muito mais a emoção do que a razão. E para isso, os financiadores dos oponentes usam de todos os artifícios para ganhar a simpatia dos torcedores, desde fabricação de escândalos à calúnia. Acaba sendo um vale-tudo.

            Não deixemos nos iludir, seja qual for o vencedor. Política é política, seja em que governo for. Sempre haverá acordos, conchavos, propinas, desonestidades...,pois um Governo não é só uma pessoa, é uma máquina gigantesca com milhares de engrenagens e sub-sub-sub-engrenagens...

            Como bem diz o texto, Dilma pode não ser a candidata ideal, mas comparada com seu oponente e a corrente ideológica que ele encarna e que traz de governos anteriores, é bem melhor do que voltarmos a ser dependentes e subservientes ao capital estrangeiro.

 

Arauto do Templo.

           

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário