quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Combatendo nosso inimigo maior - nós mesmos.

Após a leitura do artigo abaixo, paremos e reflitamos alguns minutos. Veremos que nos identificamos em vários pontos.

Todos temos nossas falhas e defeitos, não somos melhores e mais perfeitos que ninguém, não somos a palmatória do mundo. Porque só vemos os defeitos nos outros?

Como sabemos, do pensamento deriva a ação. Portanto, pensemos bastante antes de tomarmos uma atitude, expressar uma opinião.

Na natureza e na vida, tudo muda; nada é permanente e definitivo. Porque não mudarmos nossos conceitos a respeito de determinados assuntos, ou nossa forma de agir frente a determinadas situações? Por que não sermos, afinal, um pouco mais tolerantes? Quem sabe, o mundo não ficaria um pouco melhor!

 

Arauto do Templo

___________________________

 

Há um terrorista em mim.

 

Por: Frei Betto (O.P.)

Extraído do Jornal “O Globo”, de 03.12.15

 

Ele não é muçulmano, mas também pertence ao EI, o Estado da

Intolerância, que se impõe no almoço em família, no papo com amigos, no local de trabalho.

 

É fácil criticar os terroristas do Estado Islâmico, que não respeitam nada nem ninguém. Difícil é derrotar o terrorista que me habita e se manifesta quando encontro quem não pensa como eu. “Como ousa defender outro partido?”, indago aos gritos, com raiva, deixando vazar o ódio que guardo no peito. Saio falando mal do partido e do amigo que tem a desfaçatez de ainda justificar políticos e políticas que só contribuíram para o atraso deste país.

SE EU PUDESSE ME DESPIR DESSA PELE de cordeiro que encobre o lobo que sou, calava o meu amigo, cortava-lhe a língua, libertava o seu cérebro dessa lavagem cerebral a que foi submetido. Será que todos não se dão conta que eu tenho sempre razão? E depois reclamam quando detono as bombas que trago nas entranhas e, inflamado, vocifero contra os estúpidos que insistem em me convencer de suas opiniões insensatas.

O terrorista que me povoa usa armas ferinas; difama e calunia, sem dar ao outro o benefício da dúvida, e muito menos o direito de defesa. É um fanático religioso. Na fase ateia, defende a não existência de Deus, considera todos os crentes imbecis, alienados, dopados pelo ópio do povo, movidos pela ilusão de que há transcendência e vida após a morte. Na fase religiosa, não admite a convivência de todas as religiões. Há um só Deus, o dele! Um só credo, o que ele professa! Todos que não creem como ele crê merecem a perseguição, a morte, o inferno, pois são todos infiéis, heréticos, idólatras.

O terrorista que há em mim fala em democracia para o público externo. No íntimo, advoga uma sociedade autoritária, na qual todos pensem e ajam como ele, numa demonstração inquestionável de que fora do pensamento único não há salvação. Também fala da ética e proclama que é pecado roubar, mas embolsa o dinheiro dos fiéis, constrói mansões para o conforto de seu ego, tem horror de pobres, finge milagres para reforçar a aura divina de seu poder.

O terrorista que ocupa o meu coração é homofóbico, machista, racista, intolerante com aqueles que não se comportam segundo padrões moralistas de decência. É arrogante, prega certezas irrefutáveis. Mal-educado e grosseiro, não se levanta para dar lugar ao idoso e à mulher grávida. Desconfia da faxineira se um objeto sem valor desaparece da casa; irrita-se quando preso no engarrafamento ou se vê obrigado a enfrentar filas; usa a política para alcançar seus propósitos escusos.

O terrorista que comanda minhas emoções não é muçulmano, mas também pertence ao EI – Estado da intolerância, que se impõe no almoço em família, no papo da roda de amigos, no local de trabalho. Ainda que dê ouvidos a um boçal para fingir educação, o que gostaria mesmo era de calá-lo com um soco na cara e quebrar-lhe os dentes.

Esse terrorista que, em sociedade me usa como disfarce, não grita Allahu Akbar (Deus é grande). Grita: Eu sou o cara! Dobrem-se à minha opinião! E degola virtualmente todos que discordam. Estes são queimados vivos nas brasas aquecidas pelo ódio. Divulga na Internet tudo que possa ridicularizar os desafetos, adicionando mais lenha na fogueira da inquisição cibernética.

Esse terrorista fundamentalista jamais dirá ao outro “a tua fé te salvou”, como fez Jesus. Dirá “eu te salvei”. Isso se o outro comungar a fé que ele professa, ao contrário de Jesus, que ousou, em supremo gesto de liberdade religiosa, dizer “a tua fé te salvou” ao centurião romano, que professava o paganismo, e à mulher cananeia, que pertencia a um povo politeísta.

 

 

Este e-mail foi enviado por um computador sem vírus e protegido pelo Avast.
www.avast.com

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Mensagem de Natal

MENSAGEM DE NATAL - 2015

PRIORADO MAGISTRAL DO RIO DE JANEIRO  -  OSMTH – PORTO – PT

 

SURSUM CORDA

 

Irmãos, Saudações Templárias e Natalinas

 

Renasce uma vez mais o menino Jesus, nosso símbolo maior de Luz e de Esperança.

De Luz, desejando que ilumine cada vez mais nossas mentes e corações, banindo as trevas da insensatez, das disputas, da cobiça e das guerras.

De Esperança, desejando que a humanidade venha a ter dias melhores, dias de paz, de justiça, de amor fraterno, que possamos amar o próximo como a nós mesmos, para que sejamos dignos das promessas do Cristo de Deus.

Feliz Natal a todos os Irmãos do Templo e familiares.

 

HABEMUS AD DOMINE

 

Fr. ++João Baptista Neto (MC)

                Prior

Priorado Magistral do Rio de Janeiro

        OSMTH – Porto - PT

                nnDnn

Arauto do Templo

 

Este e-mail foi enviado por um computador sem vírus e protegido pelo Avast.
www.avast.com

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

IV Investidura Templária - 13.Novembro.2015

Palavras do Prior

 

(Por ocasião da IV Investidura Templária realizada na Igreja de N.S. da Conceição e S. José, no Engenho de Dentro –Rio de Janeiro – RJ)

 

SURSUM CORDA

 

Excelentíssimas Autoridades Eclesiásticas, Civis e Militares, Senhores e Senhoras, o nosso muito obrigado por tão honrosa presença prestigiando mais esta Solenidade, atendendo ao convite para a Missa em Ação de Graças seguida de Investidura Templária.

 

Infelizmente, nem tudo acontece de acordo com o planejado. E, como tantas outras atividades, as nossas também foram afetadas pela crise econômica pela qual vem passando o Brasil.

 

A programação inicial era de serem investidos 10 Cavaleiros e 1 Dama, mas, devido à crise, somente uma Dama resistiu e perseverou até o final.

 

Tal atitude da Aspirante Cecilia Grecchi dá um brilho especial a esta solenidade ressaltando as três principais características de um Templário: Temperança, Determinação e Perseverança.

 

Como tudo é passageiro, nós, do Priorado Magistral do Rio de Janeiro, da “Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani – OSMTH” – Porto, continuaremos firmes em nosso propósito na formação de Cavaleiros e Damas, pois não será uma crise passageira que afetará os desígnios do Priorado de uma Ordem de 900 anos, de tantas batalhas vencidas.

 

Como sabem, hoje não mais guerreamos com armas, e sim com palavras e exemplo de atitudes cristãs, tudo de acordo com os ensinamentos de nosso Mestre Maior – Jesus, o Cristo.

 

Salve Mestre Jesus.

Salve Mãe Maria, aquela em quem o SENHOR fez Maravilhas.

 

HABEMUS AD DOMINE.

 

Non nobis Domine, non nobis, sed nomini Tuo da Gloriam

 

 

Arauto do Templo

 




Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

CONVITE para a IV Investidura - 13.11.15

Já se encontra no site www.templebrasil.org  Convite para a IV Investidura a ser realizada no dia 13.11.15 às 18:00 horas na Igreja de N.S. da Conceição e S. José, no Engenho de Dentro, na Av. Amaro Cavalcanti, 1671.

Os interessados em participar do Jantar de Confraternização deverão entrar em contato com o Priorado até o dia 10.11.15 através do e-mail webmaster@templebrasil.org .

 

Arauto do Templo.

 

 




Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Desafios da Igreja

Comentário

 

Tudo a seu tempo e hora. Finalmente, parece que chegou a hora de a Igreja encarar de frente certos temas que vêm se arrastando por décadas tendo como subterfúgio dogmas e tabus já em muito ultrapassados e anacrônicos. Foi preciso constatar a perda crescente de fiéis e olhar internamente para seu comportamento frente à sociedade, comparando-o às prédicas de Jesus, para que chegasse à conclusão que era hora de mudar sob pena de se tornar meramente uma organização cumpridora e mandatária de regras ao invés de assistência aos seus fiéis.

 

Arauto do Templo

________________________________________

 

Desafios da Igreja

 

Por: Frei Betto (O.P.)

Extraído do Jornal “O Globo”, de 08.10.2015

 

O Sínodo da Família tem por missão se debruçar sobre temas que permanecem tabus, como homossexualidade, divórcio e preservativos.

 

         O Sínodo da Família, convocado pelo Papa Francisco, teve início em Roma a 04 de outubro e será encerrado no próximo dia 25. Estão reunidos 270 padres sinodais (bispos e cardeais), eleitos por 110 conferências episcopais; chefes de Igrejas Orientais; dea religiosos; peritos; e 18 casais (dois do Brasil).

         O tema é “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Na vigília de oração antes da abertura do evento, o Papa lembrou que a Igreja Católica não pode “permanecer no passado”, nem se comportar como “simples organização”, e nela a autoridade é serviço e não dominação. Na igreja, a missão não deve se confundir com mera “propaganda”; o culto com “evocação”; e a “prática dos cristãos com uma moral de escravos”.

         Esta última frase tem endereço certo: o legalismo moralista que ainda predomina na Igreja e a faz mais parecida à hipocrisia dos fariseus que à misericórdia de Jesus. Ainda há padres e religiosos que preferem apontar aos fiéis as penas do inferno que o amor incondicional de Deus; o estigma da condenação que o afetuoso perdão espelhado no pai que festeja a volta do filho pródigo. “Se não somos capazes de unir compaixão à justiça, terminamos sendo seres inutilmente severos e profundamente injustos”, declarou o Papa.

         Francisco enfatizou que a Igreja precisa abraçar “as situações de vulnerabilidade que a põem à prova: a pobreza, a guerra, a enfermidade, o luto, as relações (conjugais) laceradas e desgastadas e das quais brotam dificuldades, ressentimentos e rupturas”.

         O Sínodo, uma assembleia consultiva, tem por missão debruçar-se sobre temas que permanecem tabus na Igreja, como a homossexualidade. As três religiões do Livro – judaísmo, cristianismo e islamismo – no mínimo sentem-se desconfortáveis com o fato de haver atração sexual e afetiva entre pessoas do mesmo sexo. E, muitas vezes, se julgam no direito de rejeitá-las e estigmatizá-las, como se Deus fosse um severo juiz moralista e não um Pai amoroso. Ou “mais Mãe do que Pai”, como disse João Paulo I.

         Divorciados recasados podem ter acesso aos sacramentos? A relação sexual deve estar sempre norteada pela intenção de procriar? O uso do preservativo merece ser liberado? Como deve proceder a Igreja diante dos “órfãos sociais”, como se referiu Francisco aos imigrantes que chegam à Europa? São questões a serem debatidas por uma assembleia predominantemente masculina e que formalmente se abstém de relações sexuais e, portanto, nunca constituiu família. As decisões finais são prerrogativas do Papa, que pode aceitar ou não os resultados das votações.

         Se João Paulo II foi um Papa diplomata, empenhado na derrubada do Muro de Berlim; e Bento XVI, um teólogo preocupado em preservar a ortodoxia; Francisco é um pastor e quer escancarar as portas da Igreja: venham todos, cegos, surdos, estropiados, pecadores.

         O Papa Francisco tenta mover uma montanha, a Igreja Católica, com as próprias mãos. Sabe que não é fácil enfrentar os paradoxos que caracterizam a instituição: religiosos que fazem voto de pobreza e vivem confortavelmente em comunidades ricas; clero aburguesado cuja teologia pouco difere do catecismo elementar; mulheres impedidas de acesso ao sacerdócio; leigos infantilizados na fé; preconceito aos homossexuais; insensibilidade frente aos pecados sociais.

         Em 1910, dois terços dos católicos do mundo eram europeus. A continuar morrendo mais padres que recebendo novos seminaristas, em breve a Europa terá um número insignificante de católicos. E em todo o mundo perdurará a contradição entre o que Roma prega e os fiéis praticam, como é o caso do preservativo. A menos que a Igreja siga os passos de Francisco e procure responder a pergunta que ele se faz: como agiria Jesus em pleno século XXI?

_____________________________ 

 

 

 




Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Sexo e Amor na Igreja.

Comentário

 

Com relação ao artigo abaixo, somos contra o entendimento de que o homossexualismo seja uma tendência natural. Podemos entender que seja uma tendência oriunda da permissividade dos costumes sob o prisma da modernidade, onde tudo, em nome do amor, é permitido. Fosse uma tendência natural, veríamos na natureza animais a praticando, exatamente o que nâo ocorre. Podemos entender também como um problema de má formação genética, ou mesmo disfunção hormonal, mas nunca como uma tendência natural. Apesar de tudo, como seres humanos que são, os homossexuais têm todos os direitos e merecem nosso respeito.

 

Arauto do Templo

______________________________

 

 

Sexo e amor na Igreja

 

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do jornal “O Globo”, de 18.06.2015

 

 

A 9 de junho o papa Francisco ordenou a criação do tribunal vaticano para julgar bispos acusados de pedofilia e por acobertarem padres denunciados por violência sexual, o que considerou “abuso de poder.”

 

O tribunal funcionará dentro da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), a mais importante instância católica depois do papado.

 

Ano passado, a ONU acusou a Igreja Católica de não combater a pedofilia e facilitar o acobertamento de denúncias. Francisco instalou, então, uma comissão de 17 pessoas, inclusive representantes das vítimas de abuso sexual, para investigar a ocultação desses crimes.

 

Sexo sempre foi tabu nas igrejas. É o que menos se fala e muito se faz. A começar do fato de todos papas, cardeais e bispos serem frutos da relação sexual entre um homem e uma mulher.

 

As influências da teologia do apóstolo Paulo, educado pela escola puritana dos fariseus e, mais tarde, de Santo Agostinho, discípulo de Platão, cuja filosofia antepõe corpo e espírito, induziram os católicos a verem no celibato de Jesus um exemplo a ser abraçado por sacerdotes. Não se leva em conta que o próprio Jesus não considerava o celibato exigência a seus apóstolos, tanto que escolheu como primeiro papa um homem casado, Pedro, cuja sogra ele curou (Marcos 1,31). E a virgindade de Maria, mãe de Jesus, passou a ter mais importância que seu hino à justiça social, o Magnificat (Lucas 1,46-55), e sua fidelidade aos valores evangélicos.

 

Até meados da década de 60, a Igreja Católica abrigava adolescentes em seminários, privados de contato com mulheres, a fim de cultivar neles a vocação ao celibato exigida pelo sacerdócio. Ali tinham início distorções e perversões, como a prática da pedofilia.

 

Todo pastor é um homem imbuído do poder de tocar a alma humana. Quem convive com gurus religiosos sabe que precisam estar alertas em relação a certas mulheres que, ao despir a alma, facilmente despem também o corpo...Algo parecido ocorre em consultórios de psicanálise. Daí a importância de uma formação sólida para quem lida com a subjetividade alheia, manipulável pela religião.

 

Francisco dá passos importantes no sentido de abrir, na Igreja, o debate sobre sexualidade. O tema está interdito entre os católicos desde o século XVI, quando se formulou a doutrina ainda vigente e incompatível com os avanços científicos e morais da modernidade, como a exigência de que toda relação sexual tenha por finalidade a procriação, e a proibição do uso de preservativos.

 

Para adequar a Igreja aos tempos atuais, Francisco convocou para outubro, em Roma, o Sínodo da Família, que debaterá os novos perfis familiares, e deu um basta na homofobia. A homossexualidade é, agora, reconhecida pela Igreja Católica como tendência natural, merecedora de respeito e direitos.

 

A pedofilia é uma perversão praticada também no interior das famílias e instituições que lidam com crianças. Mas há outras anomalias na Igreja, como a dupla moral (a que se prega e a que se vive), a sedução que cria dependência afetiva, o uso do conceito de pecado e do medo do inferno como diabólica maneira de manipular consciências infantilizadas.

 

Se sexo fosse pecado, Deus não teria criado uma forma tão prazerosa de gerar vida. Mas não é o sexo que o debate católico deve priorizar. É o amor. Todos os abusos sexuais decorrem da falta de amor. Vale lembrar a escala grega: pornô (o prazer de um é a degradação do outro); eros (ambos se dão prazer); filia (do prazer nasce a cumplicidade); ágape (o supremo prazer é a comunhão de espíritos).

 

E convém proclamar o que enfatiza a 1ª Carta de João (4, 7-8); onde há amor, Deus aí está. E acrescento: inclusive em uma relação homoafetiva.

_____________________________________________

 

 




Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com


domingo, 9 de agosto de 2015

O que é ter fé

O que é ter fé

 

Por: Frei Betto (ofm)

Transcrito do Jornal O Globo, de 30.07.15

 

Para Jesus, ela não significa aceitar o que prega uma religião, mas agir levado por amor, solidariedade e justiça.

 

         Todos conhecemos pessoas que frequentam a igreja e, no entanto, se comportam de modo contrário aos valores evangélicos; tratam subalternos com desrespeito; sonegam direitos de empregados; discriminam por razões raciais ou sexuais. Pessoas que enchem a boca de Deus e trazem o coração entupido de ira, inveja, soberba; são indiferentes aos direitos dos pobres; omitem-se em situações graves que lhes exigem solidariedade.

         E temos à nossa volta, no círculo de amizades, pessoas ateias ou agnósticas que, em suas atitudes, fazem transparecer tudo o que o Evangelho acentua como valores: amor ao próximo, justiça aos excluídos, solidariedade aos necessitados, etc.

         O Catecismo da Igreja Católica, aprovado por João Paulo II, em 1992, elaborado sob a supervisão do teólogo Ratzinger, futuro papa Bento XVI, define a fé como “adesão pessoal do homem a Deus”. E acrescenta que é “o assentimento livre de toda a verdade que Deus revelou”. E a portadora dessa verdade é a Igreja.

         Assim, só teria verdadeira fé cristã quem submete seu entendimento ao que ensina a autoridade eclesiástica (papa, bispos e pastores).

         Devido a essa maneira de entender a fé, o que se crê se tornou mais importante do que como se vive. Criou-se uma ruptura entre fé e vida. A ponto de uma pesquisa na França, ao indagar a diferença entre um empresário sem religião e outro cristão, teve como resposta da maioria um detalhe: o segundo vai à missa de vez em quando. No resto, em nada diferem....

         Para Jesus, quem tinha fé? A resposta é desconcertante. Em Mateus 8,10, Jesus declara que o homem com mais fé que até então havia encontrado era um oficial romano, um centurião.

         Ora, como Jesus pôde elogiar a fé de um oficial pagão? O episódio demonstra que, para Jesus, a fé não consiste, em primeiro lugar, naquilo que se crê, e sim no modo de proceder. Aquele pagão era um homem solidário, preocupado com o sofrimento de um servo.

         A mesma atitude de Jesus se repete no caso da mulher cananeia, que também era pagã. A mulher pede a Jesus que lhe cure a filha. Diante dela, Jesus reconhece: “Mulher, grande é a sua fé” (Mateus 15,28). Grande, não por causa da crença da mulher, e sim por seu procedimento amoroso.

         O mesmo ocorre no caso  do samaritano hanseniano, curado em companhia de nove judeus (Lucas 17,11-19). Os judeus, segundo suas crenças religiosas, se apresentaram aos sacerdotes, como recomendou Jesus. Já o samaritano, que não obedecia às prescrições das autoridades religiosas e não se sentia obrigado a submeter-se a elas, retornou para agradecer a Jesus, que lhe exaltou a fé: “A sua fé o salvou” (Lucas 17,19).

         Para Jesus, portanto, a fé antes de se vincular a um catálogo de crenças, a uma doutrina,  se relaciona a um modo de viver e agir. Jesus, por vezes, duvidou da fé de quem estava mais próximo dele (Marcos 4,40). Discípulos e apóstolos foram considerados “homens de pouca fé” (Mateus 8,26).

         Jesus fez a desconcertante afirmação de que prostitutas e cobradores de impostos terão precedência no Reino de Deus, e não os “exemplares” sacerdotes (Mateus 21,31).

         Isso deixa claro quem Jesus reconhecia como crente. Não propriamente quem aceita o que prega a religião, e sim quem age por amor, solidariedade e justiça. Ter fé é, sobretudo, viver de acordo com os valores segundo os quais vivia Jesus.

         A Igreja está em crise. Suas autoridades culpam o laicismo, o relativismo, o hedonismo. Ora, será que as autoridades religiosas, e nós, frades, freiras, padres e pastores, não temos culpa nisso, por apresentar a fé cristã como verdades cristalizadas em doutrina, e não expressada em vivência?

_______________________________ 

 

Arauto do Templo

 




Avast logo

Este email foi escaneado pelo Avast antivírus.
www.avast.com